Algumas dicas rápidas para a minissérie não ficar maçante:
1) compre uma série de pulseirinhas com pingentes de coraçãozinho, estrelinha, luazinha e cachorrinho;
2) faça uma tatuagem colorida de unicórnio, borboleta ou querubim no pescoço (essa é uma atitude nível 10);
3) marque um almoço durante a semana e deixe ele esperando até, no mínimo, 13h15min, por você na frente do salão de beleza – converse intimamente com as atendentes, para mostrar que você é habituè, e chame todos os veadinhos do salão pelo nome ou, melhor ainda, pelo apelido;
4) faça compras no shopping com ele junto, pague no cartão de crédito e finja que não sabe o melhor dia pra comprar – saque qualquer um da sua carteira Victor Hugo cor Caramelo;
5) tenha sempre uma Revista Nova ou Boa Forma no banco de trás do carro;
6) componha o seu case de CD´s com o seguinte repertório: Djavan; um CD de pagode e um de hip hop bem conhecidos; Acústico MTV do Kid Abelha; Marisa Monte; as 7 Melhores da Joven Pan nº 7; Renato Russo em Italiano; Cd de algum cantor cego ou aleijado; o primeiro do Charlie Brown Junior;
7) fale bastante sobre futilidades com as suas amigas pelo celular. Falando em celular, cole um adesivo de algum personagem de desenho animado japonês nele;
8) nunca aceite um convite para fazer alguma viagem em que você seja obrigada a se privar de confortos básicos, como água quente, colchão de molas, serviço de quarto e shopping. Se você não resistir, ao menos não desça do salto e dê uma resmungadinha básica – fale do calor, dos mosquitos ou que o seu tamanco anabela não está adaptado a terrenos rochosos;
9) no supermercado, jamais faça a conta do que vale mais a pena: duas embalagens de 300g ou uma de 600g. Você não tem que se preocupar com isso, definitivamente, até porque a embalagem menor é sempre mais delicada e é ele que vai pagar a conta mesmo. Aliás, não cheire as frutas pra ver se estão gostosas, nunca escolha a carne pelo frescor do vermelho e muito menos o peixe pela vivacidade dos olhos, já que você não entende nada disso;
10) nunca se ofereça pra preparar alguma coisa pro churrasco do domingo. No máximo, leve um pudim pronto de Leite Condensado Moça comprado no supermercado;
11) use creme Victoria´s Secret de Baunilha no corpo todo – tome meio Dramim antes, pra não enjoar;
12) fale bastante nos seus pais – isso demonstra que você tem sólidos valores familiares e será uma boa mãe para os filhos dele;
13) trate a todos, principalmente garçons, caixas de supermercado e atendentes em geral, com muita meiguice e jamais reclame que o aspargo não está fresco, que o capuccino está frio ou que tem um senhor fumando charuto na área de não-fumantes – mulherzinhas não reivindicam nenhum direito e não tem a menor noção daquela lei básica do marketing que trata do valor percebido pelo consumidor;
14) seus ídolos são seus avós e algum ator da Globo, pelo seu engajamento social;
15) anteceda as suas frases com a expressão “tipo assim”.
Contribuições para ampliar essa edição são muito bem-vindas.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Minissérie periódica e imperdível - capítulo 5
f) Futebol: tão importante que merece um capítulo exclusivo.
Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto, demonstre algum conhecimento técnico sobre o assunto. Tenha um time, mas, caso seja colorada, não cite o Tiago Mattos como o pior jogador da história do Internacional, e nem procure se informar sobre a colocação do seu time do Campeonato Brasileiro. Aliás, pra você não existe a menor diferença entre o Brasileiro e a Libertadores, afinal tudo é Copa do Mundo. Se algum dia você for ao estádio, deixe claro que é só para agradá-lo e contenha-se quando o juiz der cartão pro seu time – não xingue a mãe&%&$#@&&¨$# e faça aquela cara de desentendida. Quando o bandeirinha marcar escanteio, pergunte o porquê do impedimento.
(continua, mas já está acabando)
Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto, demonstre algum conhecimento técnico sobre o assunto. Tenha um time, mas, caso seja colorada, não cite o Tiago Mattos como o pior jogador da história do Internacional, e nem procure se informar sobre a colocação do seu time do Campeonato Brasileiro. Aliás, pra você não existe a menor diferença entre o Brasileiro e a Libertadores, afinal tudo é Copa do Mundo. Se algum dia você for ao estádio, deixe claro que é só para agradá-lo e contenha-se quando o juiz der cartão pro seu time – não xingue a mãe&%&$#@&&¨$# e faça aquela cara de desentendida. Quando o bandeirinha marcar escanteio, pergunte o porquê do impedimento.
(continua, mas já está acabando)
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
minissérie periódica e imperdível - capítulo 4
d) Entre amigos: fundamental um comportamento exemplar de mulherzinha, já que a opinião dos outros animais do sexo masculino vai contar, e muito. Use uma roupa bem coladinha, que deixe você bem gostosa. A primeira vez que você deixá-lo sozinho com os amigos para ver o que as outras mulherzinhas estão fazendo na cozinha, eles estarão dando tapinhas nas costas da sua vítima e avalizando a escolha. Esteja preparada: se os outros homens perguntarem, certamente ele vai confirmar que obviamente vocês já transaram e que você é tão gostosa que já se jogou do lustre da sala gritando “mim-Jane!”. Para não deixa-lo mal, aja como se já fosse todinha dele – mas só na frente dos amigos. Quanto mais você parecer dominada pelo cara na frente dos outros animais homens do círculo de amizades dele, mais forte fica a auto-estima dele, mais egocêntrico ele fica, e, conseqüentemente mais cego e confiante. Daí sim ele vai acreditar que você é mesmo mulherzinha.
e) Em família: conhecer a família do cara se equivale, em pontos, a ele deixar de ir ao jogo de futebol com os amigos pra ir ao shopping escolher o presente de dia das crianças da sua sobrinha. É quase a glória, é quase o altar. Seja meiga, muito meiga, ajude a mãe dele a lavar a louça do churrasco, mas esqueça totalmente as suas habilidades de mulher independente, evitando demonstrar muita destreza na lavagem dos pratos engordurados. Assim, ela vai enxergar, inconscientemente, uma oportunidade imperdível de te ensinar tudo o que você precisa saber em termos domésticos para fazer o filho dela feliz e ter a certeza de que, por causa disso, vai virar a sua ídola pra sempre, além de acreditar que você jamais vai representar alguma ameaça para o feijão espetacular que ela prepara.
(continua)
e) Em família: conhecer a família do cara se equivale, em pontos, a ele deixar de ir ao jogo de futebol com os amigos pra ir ao shopping escolher o presente de dia das crianças da sua sobrinha. É quase a glória, é quase o altar. Seja meiga, muito meiga, ajude a mãe dele a lavar a louça do churrasco, mas esqueça totalmente as suas habilidades de mulher independente, evitando demonstrar muita destreza na lavagem dos pratos engordurados. Assim, ela vai enxergar, inconscientemente, uma oportunidade imperdível de te ensinar tudo o que você precisa saber em termos domésticos para fazer o filho dela feliz e ter a certeza de que, por causa disso, vai virar a sua ídola pra sempre, além de acreditar que você jamais vai representar alguma ameaça para o feijão espetacular que ela prepara.
(continua)
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
minissérie periódica e imperdível - capítulo 3
c) Intimidade: vocês já sairam algumas vezes e, num belo fim de semana, resolvem fazer um programinha de casal: jantinha e DVD. Dado o alto grau de sofisticação e complexidade, este capítulo será subdividido em duas partes:
- jantinha: cozinhe algo leve, que não pese no estômago, e que não contenha cebolas, alhos ou temperos fortes em geral. A salada é fundamental para mostrar que você é uma pessoa que se preocupa com a saúde e o corpinho, e não uma workahollic que curte fast food e outras coisas deliciosas e venenosas da vida cosmopolita. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto abra o vidro de palmitos na frente dele; ou você dá pra ele abrir e faz aquela cara de positivamente impressionada diante da facilidade com a qual ele abre o vidro ou, quando ele chegar, os palmitos já devem estar cortados dentro da saladeira pra não gerar assunto. Abrir a conserva sozinha é o fim para um homem, uma demonstração muito agressiva de independência – ele jamais suportaria e você perderia valiosos pontos. Não tome álcool durante o jantar – água sem gás ou coca-light, por favor.
- DVD: se ele for educado, vai chegar já com o filme em mãos ou vocês irão até a locadora escolhe-lo juntos. Quando ele se inclinar para aquele lançamento que faz uma releitura da Guerra do Vietnã sob o ponto de vista americano, com muito sangue, morte, explosões e todas essas delícias do cinema hollywoodyano, tenha um pequeno chilique, faça beicinho, coloque o indicador da mão direita na boca e sugira, com cara de sapeca, que vocês assistam novamente Doce Novembro. Chore no final do filme, mas de forma comedida para não borrar o rímel. Depois do filme, como boa mulherzinha, puxe um papinho morno, olhe pro relógio e sugira que você está com sono e que, quando não dorme 8 horas numa noite, acorda com a pele “cansada”. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto mantenha relações sexuais com o indivíduo na primeira vez em que ele vai a sua casa. Isso seria uma forma de ruir com toda a obra já erguida nos dias anteriores, dado o sacrifício que foi aturar o papo da surdina e evitar chamar o garçom de “amigo”. Calma, estamos quase lá.
(continua)
- jantinha: cozinhe algo leve, que não pese no estômago, e que não contenha cebolas, alhos ou temperos fortes em geral. A salada é fundamental para mostrar que você é uma pessoa que se preocupa com a saúde e o corpinho, e não uma workahollic que curte fast food e outras coisas deliciosas e venenosas da vida cosmopolita. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto abra o vidro de palmitos na frente dele; ou você dá pra ele abrir e faz aquela cara de positivamente impressionada diante da facilidade com a qual ele abre o vidro ou, quando ele chegar, os palmitos já devem estar cortados dentro da saladeira pra não gerar assunto. Abrir a conserva sozinha é o fim para um homem, uma demonstração muito agressiva de independência – ele jamais suportaria e você perderia valiosos pontos. Não tome álcool durante o jantar – água sem gás ou coca-light, por favor.
- DVD: se ele for educado, vai chegar já com o filme em mãos ou vocês irão até a locadora escolhe-lo juntos. Quando ele se inclinar para aquele lançamento que faz uma releitura da Guerra do Vietnã sob o ponto de vista americano, com muito sangue, morte, explosões e todas essas delícias do cinema hollywoodyano, tenha um pequeno chilique, faça beicinho, coloque o indicador da mão direita na boca e sugira, com cara de sapeca, que vocês assistam novamente Doce Novembro. Chore no final do filme, mas de forma comedida para não borrar o rímel. Depois do filme, como boa mulherzinha, puxe um papinho morno, olhe pro relógio e sugira que você está com sono e que, quando não dorme 8 horas numa noite, acorda com a pele “cansada”. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto mantenha relações sexuais com o indivíduo na primeira vez em que ele vai a sua casa. Isso seria uma forma de ruir com toda a obra já erguida nos dias anteriores, dado o sacrifício que foi aturar o papo da surdina e evitar chamar o garçom de “amigo”. Calma, estamos quase lá.
(continua)
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
minissérie periódica e imperdível - capítulo 2
(continuação)
b) Primeiro jantar: a mulherzinha profissional pede ao cara que a busque em casa. Na hora marcada, não esteja pronta jamais – demore uns 10 minutos a mais e deixe o cara na sala batendo papo com uma amiga sua que não esteja disfarçada de mulherzinha. Isso vai mostrar ao rapaz que, mesmo em se tratando de uma simples amiga, você tem alguém esperto zelando pelas suas possíveis burrices e leviandades. Espere que ele abra a porta do carro, mas sem ele perceber que você espera por isso – hoje em dia isso soa até meio careta, mas daí já da pra tirar uma temperatura do nível do sujeito. No carro, perninhas cruzadas, bolsa no colo – cuidado com a neurolinguística. Fique observando o cara enquanto ele fala sobre a surdina esportiva do carro e mostre alto interesse - desculpe, é com esse tipo de cara que mulherzinha sai. Sempre sorrindo, achando o papo legal e dando gargalhadinhas delicadas para mostrar seus belos dentes quando ele falar algo que, mesmo que não tenha muita graça, tenha tido a intenção de te fazer rir. Durante o jantar, nunca se dirija ao garçom – deixe que ele o faça por você. Levante ao menos uma duas vezes para ir ao banheiro, mas não demore muito pra ele não achar que você faz número 2 como qualquer outro mortal – mulherzinha é tão perfumada que não faz isso. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto divida ou pague a conta. Se você for muito esperta, se ofereça por educação, de uma forma que a única resposta possível do cara seja “imagina, gatinha” – assim você valoriza a condição de macho dominador da situação, que banca uma jantinha no Steinhauss ou no Ganesh e acha que tá abafando.
(continua na semana que vem)
b) Primeiro jantar: a mulherzinha profissional pede ao cara que a busque em casa. Na hora marcada, não esteja pronta jamais – demore uns 10 minutos a mais e deixe o cara na sala batendo papo com uma amiga sua que não esteja disfarçada de mulherzinha. Isso vai mostrar ao rapaz que, mesmo em se tratando de uma simples amiga, você tem alguém esperto zelando pelas suas possíveis burrices e leviandades. Espere que ele abra a porta do carro, mas sem ele perceber que você espera por isso – hoje em dia isso soa até meio careta, mas daí já da pra tirar uma temperatura do nível do sujeito. No carro, perninhas cruzadas, bolsa no colo – cuidado com a neurolinguística. Fique observando o cara enquanto ele fala sobre a surdina esportiva do carro e mostre alto interesse - desculpe, é com esse tipo de cara que mulherzinha sai. Sempre sorrindo, achando o papo legal e dando gargalhadinhas delicadas para mostrar seus belos dentes quando ele falar algo que, mesmo que não tenha muita graça, tenha tido a intenção de te fazer rir. Durante o jantar, nunca se dirija ao garçom – deixe que ele o faça por você. Levante ao menos uma duas vezes para ir ao banheiro, mas não demore muito pra ele não achar que você faz número 2 como qualquer outro mortal – mulherzinha é tão perfumada que não faz isso. Nunca, jamais, em hipótese alguma e nem sob um decreto divida ou pague a conta. Se você for muito esperta, se ofereça por educação, de uma forma que a única resposta possível do cara seja “imagina, gatinha” – assim você valoriza a condição de macho dominador da situação, que banca uma jantinha no Steinhauss ou no Ganesh e acha que tá abafando.
(continua na semana que vem)
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
minissérie periódica e imperdível - capítulo 1
Vou aproveitar esse espaço semi-público elitista magnífico para reviver algumas linhas memoráveis que escrevi no passado recente - O Estatuto da Mulherzinha de Catálogo, um guia prático da mulher moderna.
Este documento foi desenvolvido com base em um sério estudo antropológico, cruzando os comportamentos e preferências de homens do sexo masculino e mulheres do sexo feminino, e, principalmente, nas vivências pessoais de mulheres que não são mulherzinhas de catálogo. Para tanto, os itens a seguir podem sofrer adaptações conforme o caso. Faça analogias que sejam adequadas ao seu perfil comportamental e aprenda regras básicas que você precisa seguir para não sobrar pra titia ou não ser eternamente a amante do cara que você gosta.
1. Comportamento-padrão: as mulherzinhas em geral apresentam uma estrutura comportamental muito pouco complexa, quase unicelular, acessível ao domínio de qualquer outro ser mulher. Vale à pena contextualizar e analisar os casos isoladamente, a fim de atentarmos aos pontos mais particulares dos movimentos das mulherzinhas, conforme abaixo:
a) Locais públicos: a troca de olhares e aquelas mexidinhas estratégicas nos cabelos são superdesejadas para promover a aproximação. Quando rolar o diálogo, fale de vez em quando e, de repente, mas com toda a calma, solte uma frase de efeito do tipo constatação: “pesquisadores de uma conceituadíssima universidade anglo-saxônica comprovaram que comer alface provoca uma sensação interessante de apatia e relaxamento nas pessoas”. Atente: a informação é absolutamente ignóbil, mas o grande segredo está na forma como a frase foi construída. Ele ficará impressionado com a sua eloqüência e ao mesmo tempo não se sentirá ameaçado pela sua inteligência, afinal todo mundo sabe dessa historinha lúdica do alface.
Adendo 1: se ele não souber de onde pode vir a ser uma Universidade anglo-saxônica, retire-se imediatamente usando aquela velha desculpa do banheiro – você é mulherzinha (ou ao menos está tentando ser uma), mas isso não quer dizer que vai dar mole pro primeiro bonitinho incauto que aparece;
(continua na próxima semana)
Este documento foi desenvolvido com base em um sério estudo antropológico, cruzando os comportamentos e preferências de homens do sexo masculino e mulheres do sexo feminino, e, principalmente, nas vivências pessoais de mulheres que não são mulherzinhas de catálogo. Para tanto, os itens a seguir podem sofrer adaptações conforme o caso. Faça analogias que sejam adequadas ao seu perfil comportamental e aprenda regras básicas que você precisa seguir para não sobrar pra titia ou não ser eternamente a amante do cara que você gosta.
1. Comportamento-padrão: as mulherzinhas em geral apresentam uma estrutura comportamental muito pouco complexa, quase unicelular, acessível ao domínio de qualquer outro ser mulher. Vale à pena contextualizar e analisar os casos isoladamente, a fim de atentarmos aos pontos mais particulares dos movimentos das mulherzinhas, conforme abaixo:
a) Locais públicos: a troca de olhares e aquelas mexidinhas estratégicas nos cabelos são superdesejadas para promover a aproximação. Quando rolar o diálogo, fale de vez em quando e, de repente, mas com toda a calma, solte uma frase de efeito do tipo constatação: “pesquisadores de uma conceituadíssima universidade anglo-saxônica comprovaram que comer alface provoca uma sensação interessante de apatia e relaxamento nas pessoas”. Atente: a informação é absolutamente ignóbil, mas o grande segredo está na forma como a frase foi construída. Ele ficará impressionado com a sua eloqüência e ao mesmo tempo não se sentirá ameaçado pela sua inteligência, afinal todo mundo sabe dessa historinha lúdica do alface.
Adendo 1: se ele não souber de onde pode vir a ser uma Universidade anglo-saxônica, retire-se imediatamente usando aquela velha desculpa do banheiro – você é mulherzinha (ou ao menos está tentando ser uma), mas isso não quer dizer que vai dar mole pro primeiro bonitinho incauto que aparece;
(continua na próxima semana)
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Parece comigo
Esses dias alguém me disse que vê direitinho,estampadas e escarradas, algumas situações que eu já vivi descritas nos meus textos. Deixo claro que é verdade, porém nomes, datas e alguns fatos são alterados para preservação dos seres citados - ou mesmo para manter a minha integridade física, dependendo do conteúdo em questão. Concordei meio de revesgueio com a colocação - tentando me lembrar, naquele dito momento, se a pessoa que levantou o fato havia sido a feliz contemplada de alguma crítica ou ironia capciosa. Sabe-se lá.
Lembrei da Amy Winehouse - aquela mocinha inglesa de outro planeta que vem se auto-destruindo publicamente e que tem, como marca registrada de suas composições, uma dose cavalar de si mesma, de seus anseios, de suas frustrações, desejos, enfim. Tem muita Amy Winehouse nas músicas da Amy Winehouse, assim como tem alguma Fernanda Graeff nesses textos.
Obviamente a minha existência e trajetória não têm sido tão interessantes quanto as peripécias da roqueira supracitada, mas alguns fatos rendem bem uma estorinha. O ponto é que realmente eu levo uma vida comum - bem mais comum do que eu gostaria, mas nem tão comum quanto a minha mãe havia imaginado pra mim - a filha do meio, ainda na barriga - enquanto devorava uma caixa de bom-bons de cereja da Pan (pasmem, mas lá no interior ainda existe essa marca de chocolates).
Comum é aquilo que é igual pra todos. Um lugar público é um lugar comum - uma praça, uma igreja. Eu não acho nada estranho em querer ser uma pessoa-padrão, aquela que se encaixa perfeitamente em todos aqueles conceitos que não provocam nenhuma reação em ninguém. Ser comum é ser normal, dizem os comuns e normais da nossa convivência - vizinhos, parentes, amigos. Eles estão por todos os lados. Ser comum não tem nada de errado - e é esse o X da questão mesmo, sendo bem literal. Uma pessoa comum, teoricamente, não tem no errado uma possiblidade de ação, pois o fato de ela ser comum, igual a todos, dentro do padrão, não lhe permite nenhuma uma atitude passível de reprovação pelo demais comuns. Existe um código de conduta, um método de governança que rege as pessoas-padrão.
Fatalmente acabei trocando a narrativa para terceira pessoa. Juro que foi uma ação independente do meu hipotálamo primitivo, que raramente se manifesta com tal ímpeto. Porém, apesar de critica-lo por esse rompante - mudar a pessoa do texto aleatoriamente é um verdadeiro pecado literário - tendo a concordar com ele. Não que eu não seja um ser comum, mas escrevi de um jeito que me deu vontade de fazer uma careta pro vizinho, rejeitar o meu leite quente antes de dormir ou qualquer outra atitude rebelde ao melhor estilo Ms. Whinehouse.
Lembrei da Amy Winehouse - aquela mocinha inglesa de outro planeta que vem se auto-destruindo publicamente e que tem, como marca registrada de suas composições, uma dose cavalar de si mesma, de seus anseios, de suas frustrações, desejos, enfim. Tem muita Amy Winehouse nas músicas da Amy Winehouse, assim como tem alguma Fernanda Graeff nesses textos.
Obviamente a minha existência e trajetória não têm sido tão interessantes quanto as peripécias da roqueira supracitada, mas alguns fatos rendem bem uma estorinha. O ponto é que realmente eu levo uma vida comum - bem mais comum do que eu gostaria, mas nem tão comum quanto a minha mãe havia imaginado pra mim - a filha do meio, ainda na barriga - enquanto devorava uma caixa de bom-bons de cereja da Pan (pasmem, mas lá no interior ainda existe essa marca de chocolates).
Comum é aquilo que é igual pra todos. Um lugar público é um lugar comum - uma praça, uma igreja. Eu não acho nada estranho em querer ser uma pessoa-padrão, aquela que se encaixa perfeitamente em todos aqueles conceitos que não provocam nenhuma reação em ninguém. Ser comum é ser normal, dizem os comuns e normais da nossa convivência - vizinhos, parentes, amigos. Eles estão por todos os lados. Ser comum não tem nada de errado - e é esse o X da questão mesmo, sendo bem literal. Uma pessoa comum, teoricamente, não tem no errado uma possiblidade de ação, pois o fato de ela ser comum, igual a todos, dentro do padrão, não lhe permite nenhuma uma atitude passível de reprovação pelo demais comuns. Existe um código de conduta, um método de governança que rege as pessoas-padrão.
Fatalmente acabei trocando a narrativa para terceira pessoa. Juro que foi uma ação independente do meu hipotálamo primitivo, que raramente se manifesta com tal ímpeto. Porém, apesar de critica-lo por esse rompante - mudar a pessoa do texto aleatoriamente é um verdadeiro pecado literário - tendo a concordar com ele. Não que eu não seja um ser comum, mas escrevi de um jeito que me deu vontade de fazer uma careta pro vizinho, rejeitar o meu leite quente antes de dormir ou qualquer outra atitude rebelde ao melhor estilo Ms. Whinehouse.
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