sexta-feira, 19 de junho de 2009

Virtual

Li hoje uma pesquisa que diz que conversas pela internet já resultaram em sexo para 7,3% dos usuários. Espetacular. 

Isso demonstra o poder de capilarização dessa ferramenta que, mesmo em um país com 10% de analfabetos e quase 70% de classe média, tem um nativo capaz de romper as fronteiras do intangível e fazer sexo com um parceiro que conheceu através de um monitor e um teclado. 

Obviamente, os mais pré-dispostos a esse desapego estão nas classes mais favorecidas, com grau relativo de escolaridade e acesso indiscriminado aos conteúdos da internet, como as famosas salas de bate-papo. 

Uma prova de que a internet, além de proporcionar acesso horizontal à qualquer tipo de informação, também aguça sobremaneira a nossa capacidade de abstração. Nao existe mais olhar, cheiro, dor de estômago? Ao que parece, se você for um bom redator, já sai em larga vantagem e, assim, vamos evoluindo em direção à horizontalização dos relacionamentos - com perdão pelo trocadilho.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Já estamos em junho.

Já estamos em junho. Que coisa.
Eu sempre escrevo pra marcar datas e momentos. Fim de ano, aniversário. Dessa vez, escrevi despropositadamente para lembrar (me) que já chegamos na metade de 12 meses. 

Reflitamos, todos, o quão próximos estamos de concretizar ou, ao menos, concluirmos as fundações sólidas dos nossos empreendimentos prometidos na madrugada da virada. Bêbados ou não, são compromissos importantes. 

Ou, mesmo sem promessas, pensemos sobre as coisas que farão do nosso ano, um ano memorável. 

Eu tenho uma lista legal:
1. comprei uma casinha;
2. recolhi um cachorro da rua (disso eu me arrependo um pouco. Não por mim, mas por todas as coisas mastigadas ao longo do período);
3. fui solidária às vítimas da tragédia de Santa Catarina;
4. mandei algumas pessoas do mal para lugares inimagináveis pela minha mãe;
5. acolhi outras nem tão do mal, pra ver se ajudo;
6. contive o meu lado crítico (mas não muito);
7. conheci pessoas excelentes e deixei que elas me conhecessem também;
8. aprendi que o cinza é o novo preto.

Essa lista tende a crescer nos próximos 6 meses.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Mitos que amamos e conservamos para todos, sempre.


1) Mulher não entende nada de carros: eu resolvi esse problema recomendando à todos os meus clientes do setor automotivo que abrissem seus olhos para este novo filão de mercado - a mulher. Assim, podemos ocupar nossa CPU com outros conhecimentos mais úteis, enquanto eles se preocupam em desenvolver oficinas e workshops super esclarecedores em troca da nossa fidelidade.
 
2) Mulher precisa de um homem para abrir o vidro de conserva: não requer força, somente prática e conhecimento de leis básicas da física - enfie uma faca sem ponta por debaixo da tampa para deixar o ar entrar, pois a culpa toda é do vácuo. Se não funcionar, evite as conservas - isso diminui as suas chances de morrer de botulismo.

3) Mulher adora shopping: se algum dia, os homens que proferem esse absurdo derem-se ao trabalho de estudar um pouquinho a antropologia do consumo, vão perceber que são os shoppings que nos adoram, única e exclusivamente porque nossos cartões de crédito são movidos pelos nossos impulsos e que, por isso, um lugar com muitas opções aumenta as chances de gastarmos. Somos, no fim das contas, pobres vítimas desses sangue-sugas capitalistas, que entendem nossos desejos consumistas e inventam respostas adequadas para eles. Onde esse mundo vai parar...

4) Homem garanhão | Mulher galinha: todo mundo conhece esse pilar da sociedade patriarcal machista, resíduo primordial das falhas de criação que tivemos na fase oral da vida e que se refletem, anos e anos depois, em nossos comportamentos censuradores e recalcados. Para piorar a situação, afirmo com veemência que já ouvi muita mulher vomitar essa bobagem, o que só faz me isentar de qualquer rótulo feminista. Se você acha mesmo que mulher só troca fluidos com papel assinado e comunhão de bens, lhe digo que até o Machado de Assis já conhecia outras fórmulas mais modernas lá no século XIX.

5) Mulher só assiste a filmes de romance: vocês já pararam pra pensar que isso pode ser um recado? 

6) Eva foi feita de uma costela de Adão: dogmas como esse não deveriam entrar em discussão, mas já que o assunto se configurou em uma pequena guerra dos sexos, achei apropriado discorrer sobre os primordios dessa desavença. Quando Deus decidiu pegar uma costela do cara, foi meramente simbólico - podia ser uma amígdala, o dedo mingo ou qualquer outro pedaço sub-utilizado daquele corpo. Isso comprova que Eva nasceu sem dever nada para o Adão, uma vez que Deus foi o criador de tudo e que faria uma mulher usando chiclete e palito de fósforo, que nem o McGuyver.

7) Toda mulher gosta de rosas: a Ana carolina também acha isso. Eu não. As rosas têm um lado "old school" que eu até aprecio, mas a natureza é variada demais para esse tipo de rótulo.

8) Mulheres modernas não admitem que o homem pague a conta: isso é uma grande bobagem. Arrume maneiras mais criativas de demonstrar gentileza e solicitude, ou continue deixando essa missão a cargo do seu Visa.

9) Homem é como vinho, quanto mais velho, melhor: vamos por partes. Antes de pensar em ser vinho, toda aquela matéria-prima sofre um processo que seria muito mais interessante e produtivo para os homens: selecione os mais suculentos; pise bastante; deixe sozinhos e, de preferência, no escuro por uns tempos até que, enfim, mereçam dividir a mesa com você. 

10) Mulheres são loucas por sapatos: se depender de mim, esse é um mito que jamais vai cair (do salto).



segunda-feira, 18 de maio de 2009

Paixão colorada

Sempre achei que, com o passar dos anos, essa euforia fosse se amenizar. Deixar de gostar do assunto totalmente nunca foi uma hipótese, mas dar fiasco no meio do bar também não era uma das minhas opções. 

Quando pequena, à sombra do meu pai, peguei esse vício incontrolavelmente (ainda) masculino de gostar de futebol. Não bastando os escândalos quando era proibida de ir ao estádio - deve ser um saco levar uma guriazinha ao jogo todo santo domingo - me projetei aos gramados e fui defender algumas bandeiras entre os 12 e os 18 anos. Sim, fui jogar e ganhei destaque como ponta de lança - função que nem leva mais esse nome. Oras também na camisa 10 - coisa que raramente se vê hoje em dia, mas, não pelo desuso do termo e sim pelo desuso da função mesmo. 

Esse comportamento técnico-passional, de xingar e vibrar com embasamento tático sobre o esporte, num misto de palavrões brandos e mandatórios absolutamente funcionais sobre a performance do jogador ou a estratégia do adversário, sempre chamou a atenção dos espectadores dos meus "espetáculos" públicos. Para o bem e para o mal. Alguns homens muito interessados; algumas mulheres valorizando o aspecto patético do gestual exagerado, das mãos balançando, dos punhos cerrados na hora do gol. Lágrimas são menos corriqueiras, mas pelo menos são bem mais femininas...

Vergonha? Não sei explicar direito, mas, na hora, é como se eu sumisse, como se eu ficasse invisível ou adquirisse algum superpoder capaz de me fazer acreditar que nada estava acontecendo aos olhos dos outros.

O mais triste disso tudo é que a idade não levou essa coisa embora. Sequer amenizou. Nem morando a mil e duzentos quilômetros de distância do "celeiro de ases". Quanto mais eu entendo do assunto, mais difícil fica largar o vício - tenho crises de abstinência severas se não sei o que está acontecendo inclusive com os adversários das próximas 23 rodadas. 

Se com a maturidade, o "semancol" não veio de série, ao menos fiquei mais esperta. Optei por assistir a todos os jogos - ao menos os mais importantes - no sossego do lar. Torçam pra eu não perder o marido e, por favor, evitem tirar conclusões de nível psiquiátrico sobre o meu superpoder.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Texto fofo.

Hoje eu não vou escrever nenhuma crítica sobre nada. Vou tecer comentários elogiosos.

Eu vou elogiar alguns tipos de amizade que eu conheço, e que realmente fazem a diferença na vida de qualquer ser humano capaz de produzir números mínimos de sinapses para entender o que isso significa. Sim, pois o que seria dos sentimentos sem um organismo pensante que os relativizasse e provasse ao seu dono que isso é mesmo especial?

Eu ouso chamá-las - essas amizades - de amores, porque não. E em geral as minhas vítimas são tão merecedoras, que não importa se ficamos meses ou anos sem nos ver - quando a gente se vê, tá tudo igual. São vínculos não-perecíveis, não dão cheiro e não soltam as tiras. 

Amizades mais recentes também tem crédito nesse rol. E você vê de cara quem são os candidatos com potencial ao trocar um simples aperto de mãos. Não precisam ter sorriso franco ou bochechas coradas como dizem nos manuais sobre amizade, mas ter coisas do lado de dentro que, de tão verdadeiras, são visíveis a olhos nus.

Eu sou mesmo uma criatura privilegiada e agradeço a cada um dos meus amores-amigos. São de todos os tipos e jeitos diferentes, cada um com a sua coisa maravilhosamente especial que me conquista e me faz querer ser melhor todos os dias para merecê-los.

Hum, que fofinha. 
 

quinta-feira, 30 de abril de 2009

tantas coisas

Quando batizei esse espaço pós-adolescente de "tantas coisas", fui ao ipsis líteris da expressão. Não foi por acaso. E é com ele que eu preciso aprender, todos os dias, um depois do outro, que existem tantas coisas mais importantes na vida do que aquelas que desagradam a gente nesse momento... tantas coisas mais belas do que outras que nos ferem as pupilas... tantas coisas mais profundas do que a irrelevância de determinados comportamentos rasos.

Vivendo e aprendendo. 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Essa coisa de saudade

Muito louca essa coisa de saudade.
É uma dorzinha estranha, voluntária e com requintes - brandos - de crueldade.

Eu desenvolvi um método revolucionário de lidar com esse sentimento semi-devastador, uma técnica de sobrevivência muito funcional, em especial para aquelas pessoas que, como eu, afastaram-se do seu habitat natural em busca de algum tipo de cativeiro distante.

Me auto-sugeri a deixar a maldita se aproximar de mim somente quando estou na iminência de acabar com ela. Interessante mecanismo. De auto-defesa mais pura, pois não tem nada pior do que essa sensação. É um misto de raiva - pela impotência da distância ou de uma ruptura qualquer - e de prazer - pela possibilidade de rever as pessoas e viver com elas justamente aquelas experiências que fazem você sofrer por isso.

É simples, não requer prática nem habilidade (apesar da prática ser muito saudável, porque deixa você cada vez mais safo no assunto). E, diferentemente do que alguns devem estar pensando ao lerem essas linhas, tampouco se trata de disseminar metodologias mercantilistas, frias e comerciais para lidar com sentimentos nobres difundidos pelo mundo a partir da queda do muro de Berlim, da união entre os povos e da democratização das fronteiras comerciais entre as nações - afinal, até o Obama perdoou os cubanos. 

Não sou apologista dos organismos cibernéticos de coração indestrutível, mas enquanto eu puder, hei de me defender, de me poupar. Vejo só o lado delicioso do assunto. Só penso na parte ruim quando a parte boa está me esperando no aeroporto com igual sentimento.

É uma forma apropriada de categorizar os sofreres. Coloque-os em diferentes caixinhas, feche-as e abra somente quando solicitado no guichê. É o mesmo que acontece quando estamos apertadíssimos para fazer xixi: quanto mais pertinho do banheiro, pior fica a dor do aperto, não?. Abrindo o ziper, baixando a calça... antes disso, procuramos nem pensar que existe uma bexiga compondo o sistema urinário humano e, muito menos, que ela está gritando daquele jeito ensurdecedor. Depois, o único residual  de todo esse processo traumático é aquela sensação deliciosa - alívio, conforto.

Viu só? Um exemplo cotidiano que desmitifica a técnica - você tambêm faz isso e nem sabia.

Ah, esse meu lado direito do cérebro... sempre obrigando meu lado esquerdo a trabalhar.