quinta-feira, 14 de maio de 2009

Texto fofo.

Hoje eu não vou escrever nenhuma crítica sobre nada. Vou tecer comentários elogiosos.

Eu vou elogiar alguns tipos de amizade que eu conheço, e que realmente fazem a diferença na vida de qualquer ser humano capaz de produzir números mínimos de sinapses para entender o que isso significa. Sim, pois o que seria dos sentimentos sem um organismo pensante que os relativizasse e provasse ao seu dono que isso é mesmo especial?

Eu ouso chamá-las - essas amizades - de amores, porque não. E em geral as minhas vítimas são tão merecedoras, que não importa se ficamos meses ou anos sem nos ver - quando a gente se vê, tá tudo igual. São vínculos não-perecíveis, não dão cheiro e não soltam as tiras. 

Amizades mais recentes também tem crédito nesse rol. E você vê de cara quem são os candidatos com potencial ao trocar um simples aperto de mãos. Não precisam ter sorriso franco ou bochechas coradas como dizem nos manuais sobre amizade, mas ter coisas do lado de dentro que, de tão verdadeiras, são visíveis a olhos nus.

Eu sou mesmo uma criatura privilegiada e agradeço a cada um dos meus amores-amigos. São de todos os tipos e jeitos diferentes, cada um com a sua coisa maravilhosamente especial que me conquista e me faz querer ser melhor todos os dias para merecê-los.

Hum, que fofinha. 
 

quinta-feira, 30 de abril de 2009

tantas coisas

Quando batizei esse espaço pós-adolescente de "tantas coisas", fui ao ipsis líteris da expressão. Não foi por acaso. E é com ele que eu preciso aprender, todos os dias, um depois do outro, que existem tantas coisas mais importantes na vida do que aquelas que desagradam a gente nesse momento... tantas coisas mais belas do que outras que nos ferem as pupilas... tantas coisas mais profundas do que a irrelevância de determinados comportamentos rasos.

Vivendo e aprendendo. 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Essa coisa de saudade

Muito louca essa coisa de saudade.
É uma dorzinha estranha, voluntária e com requintes - brandos - de crueldade.

Eu desenvolvi um método revolucionário de lidar com esse sentimento semi-devastador, uma técnica de sobrevivência muito funcional, em especial para aquelas pessoas que, como eu, afastaram-se do seu habitat natural em busca de algum tipo de cativeiro distante.

Me auto-sugeri a deixar a maldita se aproximar de mim somente quando estou na iminência de acabar com ela. Interessante mecanismo. De auto-defesa mais pura, pois não tem nada pior do que essa sensação. É um misto de raiva - pela impotência da distância ou de uma ruptura qualquer - e de prazer - pela possibilidade de rever as pessoas e viver com elas justamente aquelas experiências que fazem você sofrer por isso.

É simples, não requer prática nem habilidade (apesar da prática ser muito saudável, porque deixa você cada vez mais safo no assunto). E, diferentemente do que alguns devem estar pensando ao lerem essas linhas, tampouco se trata de disseminar metodologias mercantilistas, frias e comerciais para lidar com sentimentos nobres difundidos pelo mundo a partir da queda do muro de Berlim, da união entre os povos e da democratização das fronteiras comerciais entre as nações - afinal, até o Obama perdoou os cubanos. 

Não sou apologista dos organismos cibernéticos de coração indestrutível, mas enquanto eu puder, hei de me defender, de me poupar. Vejo só o lado delicioso do assunto. Só penso na parte ruim quando a parte boa está me esperando no aeroporto com igual sentimento.

É uma forma apropriada de categorizar os sofreres. Coloque-os em diferentes caixinhas, feche-as e abra somente quando solicitado no guichê. É o mesmo que acontece quando estamos apertadíssimos para fazer xixi: quanto mais pertinho do banheiro, pior fica a dor do aperto, não?. Abrindo o ziper, baixando a calça... antes disso, procuramos nem pensar que existe uma bexiga compondo o sistema urinário humano e, muito menos, que ela está gritando daquele jeito ensurdecedor. Depois, o único residual  de todo esse processo traumático é aquela sensação deliciosa - alívio, conforto.

Viu só? Um exemplo cotidiano que desmitifica a técnica - você tambêm faz isso e nem sabia.

Ah, esse meu lado direito do cérebro... sempre obrigando meu lado esquerdo a trabalhar.



segunda-feira, 16 de março de 2009

Eu prometo.

Aos meus amigos bloggeiros, eu prometo que vou me esforçar para fazer textos mais curtos.

Eu espero.

Eu sempre me preocupo em não cair no clichê dos textos de auto-ajuda, portanto já começo deixando um ponto importante bem claro: não é conselho. Mas como tudo o que a gente lê ou absorve em termos de informação tem a obrigação de acrescentar algo - ou não, como diz o Caetano - é inevitável que eu queira provocar uma reflexão nessa leitura.

Na realidade, a reflexão já começou na redação desse conteúdo – a minha reflexão, no caso – o que não significa que eu leve alguma vantagem competitiva só porque eu sei o final da história. Eu só comecei a refletir uns minutos antes.
Saindo da reflexão e indo para a prática – a minha prática, no caso, porque eu já refleti, afinal já escrevi e reli o que eu escrevi – você já respondeu a essa pergunta alguma vez na vida? Ou melhor, você já se perguntou o que você espera alguma vez na vida? Esse é o tipo de pergunta que pode provocar um turbilhão de reações, ou melhor, é o tipo de pergunta que provoca uma resposta ou tentativas de resposta que podem deixar o sujeito abaladíssimo.

Como assim? É normalmente essa a “frase-reação” mais imediata – você, que nunca ouviu ou se fez essa pergunta não deve saber, mas eu lhe garanto, pode acreditar. Essa é não só a resposta mais recorrente como também a mais adequada, afinal de contas não deve existir questão mais abrangente do que essa.

O que você espera do trabalho, do casamento, dos amigos no aniversário, da moça que ajuda a limpar a casa, do bicho de estimação quando você enfia a chave na porta de casa, da cara de bobo do sujeito que te esnobou na escola quando você era gordinha e usava aparelho ao se cruzarem na saída da aula de spinning, da primeira mordida naquele brioche de doce de leite que você atravessou a cidade pra comer. Eu costumo dizer que tudo na vida é expectativa – do latim, esxpectare: situação de quem espera algo; esperança. Essa terminologia, apesar de uma enorme carga de passividade, reforça o quanto é importante almejar, acreditar e desejar, às vezes muito mais do que simplesmente agir.

Diariamente, nas salas de aula, nos escritórios, na televisão eu reparo como as pessoas se vendem como seres de ação – vou lá e faço, não fico esperando. E lá vou eu, mais uma vez, travar uma batalha semântica e, mais do que isso, atitudinal com metade do mundo. Você pode ser um sujeito de ação, demonstrar toda a sua força, andar de lombo ereto, confiante e pisando firme, mas não há ação maior, melhor e mais eficiente do que aquela que vem acompanhada da fé. Quem espera, ou melhor, quem tem esperança em algo, é alguém que compartilha as possibilidades com o Universo ao seu redor – a possibilidade de dar certo ou errado, ou diferente do que se esperava, mas de estar aberto às hipóteses, a uma convergência de fatores que podem definir um acontecimento – inclusive uma ação sua na direção desejada, por que não? Não deixe de agir, mas não deixe de querer, antes de tudo.

Não deixe de desejar, de ter expectativa sobre as coisas. Mesmo que no fim das contas não saia tudo exatamente como você queria, certamente o sabor do doce de leite escorrendo pelas suas papilas gustativas vai curar qualquer olhar debochado do seu colega de escola.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Verdadear

Diferentemente do verbo mentir, falar a verdade não é um termo conjugável independente. Não existe verdadear. Será por que a verdade sempre exige uma verbalização?

Eu minto, tu mentes, ele mente e todo mundo faz isso da forma que acha melhor, mas a verdade nunca vem sozinha, livre, particular. Falar a verdade, pensar na verdade, imaginar, desejar.

Eu verdadeio, tu verdadeias, ele verdadeia e assim todo mundo pode pressupor a verdade automaticamente, como uma fala que, apesar da sua sonoridade pouco confortável, fica mais fácil, mais presente, mais usual na nossa atitude, no vocabulário.

Essa não é uma discussão gramatical, é conceitual. Facilitem a vida da verdade, des-substantivem-na, verbalizem-na.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

minissérie periódica e imperdível - último capítulo

Algumas dicas rápidas para a minissérie não ficar maçante:

1) compre uma série de pulseirinhas com pingentes de coraçãozinho, estrelinha, luazinha e cachorrinho;
2) faça uma tatuagem colorida de unicórnio, borboleta ou querubim no pescoço (essa é uma atitude nível 10);
3) marque um almoço durante a semana e deixe ele esperando até, no mínimo, 13h15min, por você na frente do salão de beleza – converse intimamente com as atendentes, para mostrar que você é habituè, e chame todos os veadinhos do salão pelo nome ou, melhor ainda, pelo apelido;
4) faça compras no shopping com ele junto, pague no cartão de crédito e finja que não sabe o melhor dia pra comprar – saque qualquer um da sua carteira Victor Hugo cor Caramelo;
5) tenha sempre uma Revista Nova ou Boa Forma no banco de trás do carro;
6) componha o seu case de CD´s com o seguinte repertório: Djavan; um CD de pagode e um de hip hop bem conhecidos; Acústico MTV do Kid Abelha; Marisa Monte; as 7 Melhores da Joven Pan nº 7; Renato Russo em Italiano; Cd de algum cantor cego ou aleijado; o primeiro do Charlie Brown Junior;
7) fale bastante sobre futilidades com as suas amigas pelo celular. Falando em celular, cole um adesivo de algum personagem de desenho animado japonês nele;
8) nunca aceite um convite para fazer alguma viagem em que você seja obrigada a se privar de confortos básicos, como água quente, colchão de molas, serviço de quarto e shopping. Se você não resistir, ao menos não desça do salto e dê uma resmungadinha básica – fale do calor, dos mosquitos ou que o seu tamanco anabela não está adaptado a terrenos rochosos;
9) no supermercado, jamais faça a conta do que vale mais a pena: duas embalagens de 300g ou uma de 600g. Você não tem que se preocupar com isso, definitivamente, até porque a embalagem menor é sempre mais delicada e é ele que vai pagar a conta mesmo. Aliás, não cheire as frutas pra ver se estão gostosas, nunca escolha a carne pelo frescor do vermelho e muito menos o peixe pela vivacidade dos olhos, já que você não entende nada disso;
10) nunca se ofereça pra preparar alguma coisa pro churrasco do domingo. No máximo, leve um pudim pronto de Leite Condensado Moça comprado no supermercado;
11) use creme Victoria´s Secret de Baunilha no corpo todo – tome meio Dramim antes, pra não enjoar;
12) fale bastante nos seus pais – isso demonstra que você tem sólidos valores familiares e será uma boa mãe para os filhos dele;
13) trate a todos, principalmente garçons, caixas de supermercado e atendentes em geral, com muita meiguice e jamais reclame que o aspargo não está fresco, que o capuccino está frio ou que tem um senhor fumando charuto na área de não-fumantes – mulherzinhas não reivindicam nenhum direito e não tem a menor noção daquela lei básica do marketing que trata do valor percebido pelo consumidor;
14) seus ídolos são seus avós e algum ator da Globo, pelo seu engajamento social;
15) anteceda as suas frases com a expressão “tipo assim”.

Contribuições para ampliar essa edição são muito bem-vindas.